Proteja os insetos, proteja as aves
O município de Peruíbe, no Brasil, se encheu de vida, cores e música para celebrar mais uma edição do Festival das Aves Costeiras do Litoral Paulista. Nesta edição, a mensagem central foi além das próprias aves: destacou-se a importância de proteger os insetos, fundamentais para a alimentação, reprodução e sobrevivência das aves.
O festival deu destaque especial às dunas de restinga (formações vegetais de folhas largas que crescem sobre dunas no litoral do Brasil e do Uruguai) um ambiente costeiro essencial que oferece abrigo e alimento para diversas espécies por se formar sobre bancos de areia rasos. Foi entre essas dunas e a vegetação nativa que se prestou homenagem a aves que dependem desses habitats para nidificar ou descansar durante suas migrações, como a coruja-buraqueira (Athene cunicularia), o piru-piru (Haematopus palliatus), o batuíra-de-coleira (Anarhynchus collaris) e a andorinha-doméstica (Hirundo rustica).
Esse encontro só foi possível graças ao trabalho dos integrantes do Projeto Aves Limícolas do Litoral Paulista, uma iniciativa dedicada à conservação das aves limícolas e de seus habitats, promovendo a conexão entre as pessoas e a natureza. Seu trabalho se baseia na colaboração com comunidades locais, pesquisadores e diversas instituições. Pelo seu compromisso, o festival contou com o apoio de uma minigrant do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell (Cornell Lab of Ornithology), voltada a iniciativas na América Latina e no Caribe que promovem a conservação por meio da ação comunitária.



O festival aconteceu na Praça Matriz de Peruíbe, que se transformou em um verdadeiro ponto de encontro entre ciência, arte, educação e comunidade. À sombra das árvores, em meio a risos, curiosidade e encantamento, o ambiente ganhou vida com a participação de organizações comprometidas com a conservação, como GREMAR, Manguezal Vivo, Biopesca, o Laboratório de Estudos do Quaternário, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, o Herbário da Universidade Santa Cecília, o Zoológico de São Paulo, a Estação Ecológica Jureia-Itatins, o Instituto Ambiecco, MoCAN, o Observatório Astronômico Albert Einstein, o Museu Biológico do Instituto Butantan, o Projeto Phasma, SAVE Brasil, o Conselho Municipal de Bem-Estar Animal, a Secretaria de Meio Ambiente de Peruíbe e diversos clubes de observadores de aves da região. Também participaram crianças e jovens do Instituto Relfe, que vivem em contextos de vulnerabilidade social. O entusiasmo e a participação deles foram um lembrete poderoso de como o contato com a natureza e o aprendizado podem abrir caminhos de superação e inspiração.


Graças ao esforço coletivo de todos os envolvidos, foram oferecidas palestras, oficinas e exposições pensadas para todas as idades e níveis de interesse. Os temas abordados foram diversos: a importância das dunas costeiras, ética na observação de aves, o papel das abelhas nativas, economia solidária, ciência cidadã, proteção dos rios e a diversidade de borboletas e mariposas. Mas a experiência foi além das palavras: o público pôde literalmente colocar a mão na massa. Participaram de oficinas para reutilização de resíduos sólidos, construíram casinhas para abelhas nativas e criaram um jardim na praça para atrair polinizadores — um legado verde que permanecerá mesmo após o evento.






Houve também espaço para arte e expressão, com oficinas de desenho que permitiram aos participantes registrar a beleza do momento e levar para casa um pedacinho da vivência.
Para tornar o festival ainda mais acolhedor e vibrante, as expressões culturais tiveram lugar de destaque. Música, arte e teatro tomaram conta da praça, começando com uma apresentação de capoeira da comunidade Negra Quilombola, seguida por peças teatrais emocionantes e criativas sobre a importância das aves e dos manguezais. Músicos locais e a Banda Municipal também animaram o ambiente com sons que expressavam a identidade da região. Artesãos talentosos puderam expor e vender suas criações inspiradas nas aves costeiras. Tudo isso acompanhado da deliciosa culinária regional, transformando o festival em uma verdadeira celebração da cultura e da natureza.






O evento também ofereceu saídas de campo emocionantes para observação de aves e insetos, proporcionando uma conexão direta com a natureza. Nessas atividades, foi destacada a importância da ciência cidadã e de ferramentas como o eBird, que permitem que qualquer pessoa contribua com a ciência e a conservação. Os trajetos aconteceram entre as dunas de restinga e a mata, dois habitats essenciais para a conservação e o bem-estar de diversas espécies de aves.
E quando o sol se pôs, a diversão continuou. As atividades noturnas convidaram a comunidade a olhar para o céu e explorar o universo, refletindo sobre os impactos da poluição luminosa na saúde humana e na vida das aves. Houve ainda uma saída especial para observação de insetos noturnos, guiada pelos especialistas do Projeto Phasma. Com o auxílio do aplicativo iNaturalist e armadilhas luminosas, os participantes descobriram um mundo fascinante, muitas vezes invisível ao olhar cotidiano.






O Festival das Aves Costeiras do Litoral Paulista foi, sem dúvida, uma celebração cheia de significado. Um espaço onde cada pessoa, independentemente da idade ou experiência, pôde aprender, criar, compartilhar e se reconectar com a natureza. Foi um encontro entre ciência e arte, onde a educação floresceu entre cores, sons e sorrisos, e onde as aves se tornaram símbolo de união. Mais do que um evento, foi uma ponte entre as pessoas e o meio em que vivem — um convite a observar com atenção e agir com empatia.
Um festival que não apenas celebrou as aves, mas também todas as pessoas que cuidam delas em comunidade.
O Projeto Aves Limícolas do Litoral Paulista agradece à SAVE Brasil, ao Instituto Ambiecco, ao Conselho Municipal de Bem-Estar Animal e à Secretaria de Meio Ambiente de Peruíbe por tornarem possíveis essas atividades inspiradoras de conexão com a comunidade.
Fotos: Projeto Aves Limícolas do Litoral Paulista
Página desenvolvida por Elisa España Cordón